05/05/2011 - Transporte é escolhido pela rapidez

Transporte é escolhido pela rapidez

Pesquisa ipea mostra que velocidade é o principal fator que desestimula usuário a usar transporte público

Agência Estado

São Paulo- A maioria da população brasileira considera a rapidez a característica mais importante para um bom meio de transporte, de acordo com pesquisa divulgada ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Chamado de Sistema de Indicadores de Percepção Social (Sips) - Mobilidade Urbana, o levantamento mostra que quem se desloca a pé, de bicicleta, carro, moto ou transporte público avalia a velocidade como fator determinante de um meio de transporte adequado. Essa característica também é a mais citada como a principal condição para aqueles que não utilizam o transporte público passassem a usá-lo.

A maioria das pessoas que se desloca de bicicleta, carro ou moto respondeu que poderia se tornar usuário do transporte público se ele fosse mais rápido. Para quem se desloca a pé, o principal fator para se tornar usuário do transporte público é a disponibilidade. No caso de uma segunda condição para usar o transporte público, a disponibilidade aparece em primeiro lugar para quem se desloca a pé, de bicicleta ou moto. Só quem se locomove de carro apontou a rapidez como fator determinante.

Alguns entrevistados deram a mesma resposta na primeira e na segunda condição, o que gera repetições nos resultados. Entre os não usuários preferenciais de transporte público, mais de 20% alegaram que não passariam a utilizá-lo em nenhuma condição. Entre aqueles que se deslocam de carro, moto ou bicicleta, o principal motivo para a escolha do meio de transporte está ligado à rapidez. Para os usuários de transporte público, a opção se dá porque ele é mais barato. Quem se desloca a pé cita como motivo o fato de o meio "ser saudável".

Mais utilizado?A pesquisa aponta que o meio de transporte mais utilizado para locomoção nas regiões metropolitanas é o transporte público: 60,05% dos entrevistados afirmaram usá-lo. Em seguida está o carro (22,55%), moto (7,02%), quem se desloca a pé (6,89%) e os que utilizam bicicleta (3,48%). Fora das regiões metropolitanas há uma queda brusca no número de pessoas que usam o transporte público: o porcentual cai para 24,55%. O carro, com 25,28% das respostas, é o meio de locomoção mais frequente. Depois aparecem os que se deslocam a pé (19,85%), de moto (18,88%) e bicicleta (11,43%).

O estudo fez esse mesmo questionamento comparando as capitais e as outras cidades. Nas capitais, o transporte público é o mais usado, seguido de carro, moto, bicicleta e de deslocamentos a pé.

A pesquisa, que se restringiu ao meio urbano e ao deslocamento de pessoas, foi realizada por meio de entrevistas domiciliares.?

ENTREVISTA | JOSÉ CARLOS GRAFITE

'É preciso ampliar uso coletivo'

Presidente da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC), o engenheiro civil José Carlos Xavier Grafite avalia que o principal indicativo da pesquisa sobre mobilidade urbana realizada pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) é para a ampliação do uso do transporte coletivo e dos meios não motorizados (a pé e bicicleta) nos deslocamentos. Grafite reconhece que as políticas públicas na maioria das cidades são voltadas para o transporte individual, como a construção de viadutos, mas diz que isso tem de mudar.

Por que o motorista do carro tem uma percepção maior dos congestionamentos do que os demais?

Vejo que a moto é colocada hoje como um veículo com melhor desenvoltura, com uso em larga escala para frente e para transporte de passageiros. Mas a observação é que toda a desenvoltura da moto em relação a outros veículos é com infrações de trânsito. Se ela obedecesse as mesmas regras dos demais, não seria competitiva. Chama a atenção a baixa percepção dos usuários do transporte coletivo sobre congestionamentos, porque os ônibus não têm espaço próprio e têm perdido a velocidade. Em Goiânia, nos 105 quilômetros de vias arteriais, a velocidade cai até a 15 quilômetros por hora em horários de pico, baixíssima.

O que falta para melhorar?

É preciso haver mais espaço para os ônibus, porque eles transportam mais pessoas.

O que o senhor diz sobre os índices de satisfação?

Toda política pública desenvolvida hoje nas grandes cidades é voltada para o transporte individual: viadutos, túneis, tudo é feito para o automóvel. É natural que esse usuário sinta-se mais contemplado. Outro aspecto é que as pessoas que não andam de ônibus têm uma visão mais crítica do transporte coletivo do que os usuários. Apesar dos problemas, mais de 40% consideram o transporte público razoável.

O que é preciso fazer para melhorar a segurança, outro item avaliado?

Nossos sistemas precisam de melhor iluminação, nas vias e nas paradas de ônibus. Felizmente, ao contrário de outras capitais, em Goiânia não são frequentes os assaltos a ônibus do transporte coletivo. Percebe-se também que o automóvel é o casulo, em que a pessoa tem a sensação de que vai se livrar do perigo.

A pesquisa também mostra que 60% usam o transporte coletivo para se deslocarem.

O Rio de Janeiro é a cidade com maior participação de usuários nessa modalidade. Em Goiânia, cerca de 50% dos deslocamentos são feitos no transporte público. É preciso aumentar a participação do transporte público e de meios não motorizados.

Como fazer isso?

Criando corredores, dando tratamento especial ao transporte coletivo, requalificando linhas como a Anhanguera.

 

Fonte: O Popular

Fonte: O Popular