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2015-11-29


Decisão de fomentar uso de bicicletas divide opiniões sobre como deve ser utilizado o espaço das vias

 A opção da Prefeitura por valorizar o transporte coletivo e o não motorizado, tal qual assegura o Plano Nacional de Mobilidade, faz nascer a primeira ciclorrota da capital, que deve ser inaugurada nos próximos dias. A via reforça o compartilhamento do espaço entre bicicletas e veículos automotores, já que a ciclorrota não traz segregação física do espaço público e tenta implantar a convivência pacífica. Por outro lado, gera discussão em torno da segurança dos ciclistas e se ciclovias ou ciclofaixas não seriam melhores opções.

A primeira ciclorrota será na Avenida Cora Coralina, ou Rua 85-A, saindo da Praça Cívica, passando pelo Setor Marista e chegando na Avenida T-63. No caminho inverso, inicia-se na Rua 90, Avenida 84 e novamente Praça Cívica. A discussão entre ter ou não a ciclorrota se iniciou pelo entendimento de perder a chance de ter um espaço segregado. Isso porque é projeto da Prefeitura criar 140 quilômetros de rotas cicláveis e a administração estava disposta em comprar a briga com motoristas.

Dentre os adeptos da bicicleta existe o entendimento de que ciclovias ou ciclofaixas são uma conquista própria, de modo que se ganha um espaço seguro e visível que não existia na cidade até então, dominada apenas pelos carros. Há grupos que acreditam ser este o lugar dos ciclistas nas ruas das cidades, o que faz com que ciclovias tenham de seguir caminhos com início e destino bem característicos, como a ligação entre um bairro e o centro ou entre um empreendimento e outro, e que os ciclistas devem se locomover nestes espaços.

A ideia é que, com o tempo, irá se formar uma geração com mais adeptos à bicicleta e se mude a cultura do culto pelo automóvel e motocicleta e, só então, a convivência entre meios motorizados e não motorizados possa ser mais pacífica. Até lá, o melhor seria ter caminhos mais seguros para pedalar.

Por outro lado, há quem pense não precisar esperar tanto para que toda a cidade possa ter essa convivência entre motoristas e ciclistas, sendo necessário apenas educar quem hoje toma conta das ruas para que se dê prioridade ao mais fraco, no caso as bicicletas, como ordena o Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Esse segundo grupo é o favorável ao compartilhamento das vias e, logo, das ciclorrotas como uma maneira mais rápida do ciclista ter seu lugar na rua, já que utiliza a infraestrutura viária existente. A diferença em relação às demais vias, onde o ciclista também tem prioridade é a sinalização e esta orienta o ciclista e o motorista acerca da divisão do espaço. Por isso, são mais indicadas onde se tem um tráfego calmo. Seria como a indicação da faixa de pedestre, indicando um local mais seguro para a travessia, mesmo que o pedestre tenha o direito de se locomover em qualquer lugar da via.

O projeto inicial para a Avenida Cora Coralina era de uma ciclofaixa, em que seria necessário a retirada do estacionamento no lado direito da maior parte do trecho, com a exceção da Rua 1.137, no Setor Marista, em que o espaço de parada seria jogado para a segunda faixa, o que seria uma inovação para Goiânia. O estudo estava pronto e aprovado pelo prefeito Paulo Garcia (PT) e tinha como base um estudo sobre as rotas cicláveis da capital feito por um coletivo de ciclistas.

A ideia foi mapear quais ruas de Goiânia poderiam servir para o trânsito de bicicletas de maneira segura e o documento foi doado para a Prefeitura, que prometeu colocá-lo em prática. Ao mostrar o projeto da ciclofaixa a representantes de grupos de ciclistas, estes indagaram sobre a possibilidade de se ter uma ciclorrota no mesmo trecho. O secretário de Trânsito, Transporte e Mobilidade, Andrey Azeredo, conta que para o Paço a opção foi ainda melhor, já que se teria menos gastos e menos interferências no tráfego.

Características favorecem ciclorrota

A opção por se ter uma ciclorrota no trecho da Avenida Cora Coralina também se baseou nas características das vias. A arquiteta e urbanista Gabriela Silveira afirma que no trecho específico seria mais complicado segregar o espaço, em que muitas vias são locais, e como não há um tráfego tumultuado seria possível o compartilhamento do espaço. A reportagem do POPULAR percorreu com o secretário Andrey Azeredo toda a ciclorrota e verificou que o trânsito no sentido centro-bairro, de fato, é mais tranquilo do que nas ruas vizinhas.

Durante a tarde de quinta-feira, pelo menos nove ciclistas foram vistos na ciclorrota que, apesar de não inaugurada oficialmente, já pode ser utilizada. O trecho é uma alternativa para quem utilizaria as Avenidas 85 e 84 para se chegar à Região Sul da cidade. E ao mesmo tempo que a tranquilidade é uma vantagem, ela traz uma realidade em que motoristas abusam das infrações. Foram vistos diversos veículos estacionados em locais proibidos e também se locomovendo na contramão.

A arquiteta e urbanista Carol Farias explica que a ciclorrota reinsere o ciclista no espaço público, mas reforça a necessidade de educação do motorista, incluindo também taxistas e condutores de ônibus. “Ter várias pessoas discutindo a divisão do espaço público e a infraestrutura da cidade já é um ganho”, diz ela, que concorda com a ideologia do compartilhamento viário. No entanto, lembra que o projeto da ciclorrota mantém as áreas de estacionamento, impedindo que se aproveite a inserção da rota ciclável para desincentivar o uso do carro.

Custo por quilômetro vai de R$ 4,5 mil a R$ 5,9 mil

O secretário de Trânsito, Transporte e Mobilidade, Andrey Azeredo, confirma que um dos motivos da reação positiva ao pedido dos ciclistas em se ter uma ciclorrota foi a facilidade na execução da obra, já que há apenas sinalizações verticais e horizontais, sem necessitar emprego de cones ou tachões, por exemplo. Em tese, o preço da ciclorrota também é menor, o que não ocorreu no caso de Goiânia, na comparação com as ciclofaixas.

Para a ciclofaixa dos parques Vaca Brava e Areião e a ligação entre eles foi gasto R$ 4.550 por quilômetro, no trecho que possui 6,2 km. Já na ciclofaixa do Lago das Rosas e a ligação até o Parque Vaca Brava o investimento foi de R$ 4.871 por km, para a distância total de 8,8 km. Para a ciclorrota, que possui extensão de 7,3 km, a média gasta por km foi de R$ 5.948. Azeredo explica que isso se deu pela necessidade de adquirir mais placas e suportes para o trecho.

Ele diz ainda que todas as vias cicláveis vão ter manutenção de seis em seis meses, para um reforço na sinalização horizontal, principalmente.

Fonte: O Popular - Cidades

Autor: Vandré Abreu




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