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2011-06-07


Ciclovia esbarra em 3 obstáculos - Projeto básico passa por adequações. Problemas vão de desnível em pista a travessia de ponte

Ciclovia esbarra em 3 obstáculos

Projeto básico passa por adequações. Problemas vão de desnível em pista a travessia de ponte

Com promessa de ser iniciada após o término do período de chuvas neste ano, a construção da primeira ciclovia de Goiânia esbarra na necessidade de alterações em três pontos do trajeto e não tem data para começar. No traçado original concebido pelo Plano Diretor aprovado na Câmara Municipal em 2007, existem dois pontos de estrangulamento e um trecho que requer intervenções mais amplas. O incentivo à mobilidade por meio de bicicletas é uma das intervenções consideradas viáveis para desafogar e humanizar o trânsito. Conforme o POPULAR mostrou ontem, o excesso de carros fez a velocidade média do transporte coletivo cair 28% nos últimos três anos.

De acordo com a Agência Municipal de Trânsito, Transportes e Mobilidade (AMT), o projeto básico passa por adequações analisadas em parceria com a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplam) e a Agência Municipal de Obras (Amob). Uma das mudanças será na Avenida Vieira Cruz, no Jardim Guanabara. O local apresenta desníveis no canteiro central, onde está previsto passar a pista da ciclovia no bairro.

O chefe da divisão de Planejamento e Controle de Tráfego da AMT, Marcelo Pontes Pereira, explica que o trecho requer um trabalho de nivelamento semelhante ao que está sendo feito na Avenida Ricardo Paranhos, nos lugares onde funcionará uma pista de corrida. Outro problema a ser enfrentado é o declive da avenida, que pode oferecer riscos aos ciclistas.

Os dois pontos de estrangulamento estão localizados sobre pontes. A primeira fica na Avenida Vereador José Monteiro, no Setor Negrão de Lima, e passa em cima do Rio Meia Ponte. A outra fica na 5ª Avenida, por cima dos trilhos da antiga estrada de ferro. Em ambos locais, há o risco de colocar os ciclistas em conflito com ônibus e carros no trânsito, pois existem apenas duas pistas. Como trata-se de uma obra grande, com 12 quilômetros de extensão, a Prefeitura deve licitar a execução dos trabalhos. Para isso, o projeto básico tem de ser finalizado para abrir o processo licitatório. A ciclovia vai ligar o Jardim Guanabara ao Terminal Praça da Bíblia, onde pretende-se construir um bicicletário.

Mesmo sem lugares adequados para transitar, ciclistas já optaram por deixar o carro em casa e evitar o trânsito. O arquiteto Artur Basílio Ferreira, de 27 anos, vai ao trabalho diariamente de bicicleta. "Percorro três quilômetros em cinco minutos pedalando. De carro, levo cerca de 20 minutos", disse.

Corredor Norte-Sul terá 43 estações
O corredor Norte-Sul do transporte coletivo terá 43 estações e passará por 7 terminais de integração. Este será o segundo corredor exclusivo para ônibus em Goiânia. O primeiro é o Eixo-Anhanguera, construído há 30 anos. A intervenção é considerada fundamental para elevar a velocidade média do transporte coletivo, que caiu de 19,6 para 14,1 quilômetros por hora nos horários de pico na capital. Andando mais devagar, apenas 59% das viagens são cumpridas no horário, segundo estudo elaborado pelo Consórcio da Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC).

No eixo Norte-Sul, serão construídos três novos terminais: nos Correios da Vila Brasília, na Rodoviária e na Avenida Perimetral. Outros quatro serão adaptados. Conforme a Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC) divulgou ontem, as estações serão construídas no centro das vias, a 90 centímetros do solo, e serão fechadas com vidro. Quando os ônibus pararem, as portas se abrirão ao passageiro por meio de dispositivo eletrônico. As estações serão bidirecionais, tais como as do Eixo-Anhanguera. O espaço será climatizado, possuirá câmeras de vídeo e painéis de informação eletrônica.

O corredor Norte-Sul será operado com a tecnologia BRT (ônibus de trânsito rápido, pela tradução do inglês), modalidade tida como a evolução do metrô. Terá 27 quilômetros, entre a capital e Aparecida de Goiânia. A CMTC também informou que os 14 corredores preferenciais em Goiânia somarão 102 quilômetros, com 546 pontos de embarque e desembarque e outro três pontos de conexão.

Análise - Um exemplo que vem da Alemanha
Almiro Marcos - De Berlim
 

Ônibus, bondes, trens e metrôs. Tudo ao mesmo tempo, em diferentes níveis. Além disso, há muito espaço definido nas ruas para bicicletas. Há os veículos particulares convencionais também, mas não na mesma proporção que em Goiânia. O panorama descrito acima é o do transporte coletivo e trânsito em Berlim, na capital da Alemanha.

As capitais brasileiras hoje, Goiânia entre elas, pagam o preço por uma aposta forte feita no passado pelo sistema viário. As cidades se estruturaram em torno de avenidas, com foco no automóvel, e não abriram espaço nem investiram em outros modais, como o transporte ferroviário. E hoje, o que acontece? Não há mais espaço nas ruas para tantos carros.

O Brasil tem muito mais a cultura do carro, mais americana, do que a europeia, de favorecer outros meios de transporte. E hoje o poder público corre atrás de alternativas para tentar salvar um jogo onde quem vem pagando o preço é o cidadão, já que o trânsito está cada vez mais lento.

O sistema de transporte coletivo de Berlim é tão bem organizado que é mais confiável se deslocar nele do que usar o transporte individual.

Outro aspecto importante é o cultural. Não há, como no Brasil, esse sentido de que transporte coletivo é coisa para pessoas de baixa renda. Na Europa, é comum ver dentro dos veículos de transporte coletivo executivos de terno e gravata indo trabalhar. As pessoas usam o sistema para trabalhar e para o lazer.

O Brasil, infelizmente, paga o preço por décadas e décadas de atraso na política de trânsito e transporte e por erros de visão. O investimento em outros modais, que deveria ter sido feito ao longo de décadas agora pesa. Dificilmente é possível recuperar o tempo perdido.

Afinal, os recursos a serem gastos, são altos para os combalidos cofres públicos. Restaria abrir espaço para a iniciativa privada. Uma coisa é certa, é preciso pensar em alternativas dentro das possibilidades brasileiras. Afinal, Goiânia, que tem a maior média de habitantes por veículo particular do Brasil, corre o risco de parar.

O repórter viajou a Berlim convite da Embaixada da Alemanha no Brasil.

Fonte: O Popular - Alfredo Mergulhão


 




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