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2011-09-19


A semana de 18 a 24 de setembro vem, a cada ano, se consolidado como a oportunidade de reflexão sobre o tema da mobilidade urbana

Uma reflexão importante sobre os impactos negativos associados ao modo de deslocamento priorizado em nossas cidades: carros e motos.
A cada dia nos deparamos com maiores congestionamentos, maior número de acidentes de trânsito, e todas as externalidades negativas relacionadas ao uso excessivo do veículo motorizado individual: aumento da poluição, do estresse, degradação do ambiente urbano, perda de espaços de convívio e lazer, dentre outros, que devem nos levar a refletir sobre o que vem acontecendo com nossas cidades e com nossa qualidade de vida urbana.

Na Região Metropolitana de Goiânia, estudos apontam que apenas 36% da população se desloca em veículos motorizados individuais. Os outros 64%, ou seja, a maioria da população, se desloca de ônibus, a pé e de bicicleta.

Se observarmos os investimentos e os espaços destinados a cada modo de deslocamento, veremos que acontece exatamente o oposto ao percentual citado. E existe um grande problema: investe-se muito para tentar garantir a circulação dos 36% da população que utiliza carros e motos, e nunca se chega a um resultado satisfatório. Por exemplo: a abertura de mais vias estimula a utilização de mais veículos motorizados e, no médio prazo, torna-se uma medida ineficaz, gerando mais congestionamentos, mais poluição, mais acidentes, e isso possivelmente roubou da população um espaço que poderia ser destinado ao convívio e ao lazer. Em suma: a coletividade perde seus espaços, e a circulação dos usuários de automóveis não melhora por muito tempo.

Com base nessa necessidade de reflexão convido-os a pensar sobre algumas questões: Quanto gastamos, de recursos próprios ou públicos, tentando garantir fluidez do automóvel? Qual o espaço que destinamos, em nossas cidades, para que o automóvel possa circular e estacionar? E por que será que tais ações nunca conseguem, no médio prazo, melhorar a qualidade de nossos deslocamentos e a qualidade da nossa cidade?

Uma outra reflexão: pense num espaço agradável, para momentos de lazer. Ele está cheio de veículos circulando, gerando ruídos, poluição e degradando esse ambiente? Ou você pensou em um espaço verde, silencioso, com pessoas convivendo, conversando e admirando a paisagem? Lembre que ambos são incompatíveis, ou seja, o automóvel consegue roubar, a cada dia, os espaços agradáveis da cidade.

Muitas cidades, em nível mundial, já perceberam que incentivar o uso do automóvel não gera bons resultados e passaram a fazer exatamente o oposto: valorizar, garantir e investir em oportunidades de deslocamento por outros modos (a pé, por bicicleta e por transporte coletivo), com qualidade; e ao mesmo tempo passaram a restringir o uso dos automóveis. Tais cidades, sim, têm alcançado resultados mais eficazes e efetivos relacionados à mobilidade urbana, que melhoram a qualidade de vida da sua população.

Uma cidade agradável gera renda, atrai pessoas, investimentos, visitantes. Numa cidade agradável, com uma boa qualidade de vida, é bom morar, trabalhar, viver e conviver. Numa cidade agradável as pessoas têm oportunidades de se deslocarem com qualidade por vários modos; os pedestres caminham em calçadas adequadas; portadores de necessidades especiais têm autonomia para se deslocar; usuários de transporte coletivo contam com pontos de embarque adequados e confiam no serviço, pois os ônibus não concorrem com os carros por espaço nas vias, e por conseqüência não atrasam; as pessoas podem se deslocar por bicicleta, pois há infraestrutura adequada e que proporciona segurança para esse tipo de deslocamento; os automóveis só são utilizados em casos de extrema necessidade, na menor parte dos deslocamentos, pois seu uso é restringido pelas políticas públicas; os espaços públicos são priorizados para o convívio e lazer coletivos; e, por fim, a população tem consciência disso tudo, enquanto os gestores públicos garantem que isso tudo aconteça.

Por fim, nessa semana da mobilidade, destinada a repensarmos e reavaliarmos nossos modos de deslocamento, e o impacto disso na nossa qualidade de vida, lanço uma última questão: nossas ações têm contribuído para que Goiânia e as cidades na Região Metropolitana sejam "agradáveis"?

Erika Cristine Kneib é arquiteta e urbanista, Doutora em Transportes Urbanos, professora e pesquisadora na Universidade Federal de Goiás.
 




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