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2011-10-15


Viagem 3 minutos mais rápida

Proibição de estacionamento em pequeno trecho da Avenida 85 fez aumentar velocidade média dos ônibus.
Estacionamento foi proibido nos 800 metros entre a Avenida T-9 e a Mutirão, o que provocou maior fluidez no tráfego dos ônibus e mais segurança para os passageiros.

 

A Avenida 85 confirma novamente uma afirmação recorrente dita por especialistas em trânsito: o privilégio ao transporte coletivo melhora o fluxo nas vias para todos. Com a proibição do estacionamento ao longo dos 800 metros da 85 que separam as Avenidas T-9 e Mutirão, os passageiros do transporte coletivo, que usam uma das nove linhas que circulam pelo local, ganharam três minutos no tempo de viagem, com aumento de 34% na velocidade média dos veículos.

Em junho, o POPULAR mostrou com exclusividade como também melhorou o desempenho dos ônibus nos Eixos T-7 e T-9, desde que o estacionamento na pista da direita das vias foi proibido, há um ano e meio. A diferença, quase imperceptível para quem viaja vários quilômetros por dia, ida e volta, e perde precioso tempo no trânsito, é comemorada pela Rede Metropolitana de Transporte Coletivo (RMTC), que frisa que o ganho poderia ser bem maior e significativo para os usuários, caso houvesse menos obstáculos no trajeto dos ônibus.

Levantamento feito pela RMTC na Avenida 85, comparando os períodos de 16 a 18 de agosto (antes da proibição) e de 27 a 29 de setembro (após a proibição) revela um aumento de 34% na velocidade média dos veículos, no horário mais crítico do trecho, das 17 às 19 horas. A velocidade média passou de 9,8 quilômetros por hora (km/h), no sentido Centro-Bairro, o mais crítico, para 13,2 km/h, ainda longe da considerada ideal, que é de 22 km/h a 25 km/h. Essa velocidade, segundo o diretor-geral do consórcio RMTC, Leomar Avelino Rodrigues, só é alcançada em linhas alimentadoras, em bairros periféricos.

Goiânia, conforme Leomar, conta com 102 quilômetros de vias críticas para o transporte coletivo e trânsito, que necessitam de algum tipo de intervenção para a melhoria da prestação de serviço. As Avenidas 24 de Outubro, Castelo Branco, Independência (entre as Praças da Bíblia e A), T-10 e Universitária, onde já está em estudo a implantação do corredor universitário, por parte da Prefeitura de Goiânia, são apontados pelo gestor como os cinco piores pontos críticos da cidade.

A Avenida 85, assinala, no trecho onde houve a proibição, estava entre os piores da cidade e o resultado, com a intervenção, simples, foi significativo. Diariamente, 82 mil pessoas fazem o percurso da avenida, sendo que 20 mil delas nas cerca de duas horas de pico, entre as 17 e às 19 horas. Apesar do ganho de tempo nas viagens, o diretor do consórcio RMTC não espera que haja impacto na demanda de viagens, considerando que o trecho é pequeno.

Ganhos

Apesar do ganho ainda não surtir efeito significativo para o usuário, ele afirma que é considerável para o motorista, que já não precisa parar no meio da rua para o embarque e desembarque, o que aumenta a segurança. E observa ainda que os efeitos podem ser sentidos do trânsito também, já que os ônibus não precisam usar as pistas da esquerda para deslocamento.

Miguel Thiago, presidente da Agência Municipal de Trânsito, Transportes e Mobilidade (AMT), sustenta que tinha clareza que os ganhos ocorreriam. "Tínhamos certeza da melhora e que ela beneficiaria uma quantidade maior de goianienses", afirmou. No entanto, ele lamenta não ter conseguido fazer o "serviço completo". Miguel Thiago se refere à criação de eixos exclusivos. Nessas vias, as intervenções criaram apenas faixas preferenciais de transporte coletivo, nas quais os ônibus ainda concorrem com os carros.

A cada proibição, a AMT compra uma briga com os comerciantes locais. Por esse motivo, Miguel Thiago preferiu não adiantar as próximas vias que passarão pelo mesmo processo de intervenção. Para evitar maiores resistências, a estratégia é proibir paulatinamente os estacionamentos ao longo dos principais eixos do transporte coletivo. Até porque a Prefeitura não tem capacidade financeira e pessoal suficiente para executar o serviço em todos esses locais simultaneamente.

Na Avenida 85, as discussões acerca da proibição do estacionamento começaram em 2000. Devido à pressão dos comerciantes locais, a medida sempre foi adiada. O presidente da Associação dos Lojistas da 85, Leonardo Silvério, afirma que o movimento teve grave queda desde a mudança. De acordo com ele, as vendas no varejo diminuíram 50% e no atacado a redução foi de 30%. Na semana passada, ele se reuniu com o prefeito Paulo Garcia para pedir a adequação das baias, nos recuos das calçadas. Era uma tentativa de recuperar as vagas perdidas. Segundo Leonardo Silvério, o prefeito não deu esperanças em oferecer essa alternativa.

Processo também deu resultado na T-7 e T-9

"Se for feita apenas a proibição do estacionamento e não houver investimento em infraestrutura, o ganho de agora vai sendo diluído a longo prazo."
Leomar Avelino Rodrigues, diretor-geral da RMTC

 

As Avenidas T-7 e T-9 passaram pelo mesmo processo da Avenida 85 e os resultados também apareceram rapidamente. Em 2010, o estacionamento também foi proibido ao longo das duas vias e a medida igualmente enfrentou resistências de comerciantes. Mas ambas apresentaram ganhos ao fluxo dos ônibus. O aumento médio da velocidade do transporte coletivo nessas duas vias foi menor, entre 16% e 19%. Mas, apesar disso, os efeitos foram mais significativos, segundo o diretor-geral do consórcio Rede Metropolitana de Transporte Coletivo (RMTC), Leomar Avelino Rodrigues.

A explicação sustenta-se no fato dos eixos T-7 e T-9 serem trechos maiores, em torno de seis quilômetros cada um. No caso da T-9, aponta, houve também a retirada das conversões à esquerda, o que também ajuda a melhorar a fluidez. Nestes dois corredores, foram criadas faixas preferenciais para o transporte coletivo, e proibido o estacionamento ao longo da via, bem como as conversões à esquerda.

A RMTC espera, para breve, a criação do corredor universitário, na Avenida Universitária, que deve aliviar um dos pontos considerados críticos para o transporte coletivo, pelo consórcio que opera o sistema.

O diretor-geral da RMTC, no entanto, alerta que a proibição do estacionamento é só uma das medidas, de uma série, que precisam ser adotadas para melhorar o transporte coletivo na Grande Goiânia. "Se for feita apenas a proibição do estacionamento e não houver investimento em infraestrutura, o ganho de agora vai sendo diluído a longo prazo. É importante criar os corredores preferenciais, dotando-os de infraestrutura, novo urbanismo, paisagismo e valorização da acessibilidade", diz.

Além disso, acrescenta, não basta definir a prioridade da pista, é preciso fiscalizar. "Há necessidade de investir em infraestrutura, abrigos e sinalização. Nós temos controle, gestão e tecnologia, mas só esses itens não melhoram o transporte lá na ponta, onde está o usuário", ressalta Leomar.

Análise - Velocidade caiu 28%

Nos últimos três anos, a velocidade média da frota que circula nos maiores eixos de trânsito em Goiânia caiu 28%, conforme mostrou O POPULAR no mês de junho. Em 2008, os ônibus rodavam a uma velocidade média de 19,6 quilômetros por hora (km/h) nos horários de pico. Mas de acordo com levantamento elaborado pelo Consórcio da Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC), a média de velocidade caiu para 14,1 km/h.

A quantidade de viagens dos ônibus também passa por redução paulatina. Em 1998, cada veículo do transporte coletivo fazia uma média de 14 viagens diárias. Hoje, não passa de 8. A RMTC atribui a queda de desempenho ao aumento da frota de automóveis e motocicletas, que aumentou em 75% na capital neste intervalo de tempo.

Fonte: O Popular  

 Autor: Alfredo Mergulhão e Carla Oliveira


 




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