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2013-03-11


Local não conta com semáforos e separação entre ruas e calçadas e aposta em sistema viário onde espaços são compartilhados

 Cidade holandesa tem novo conceito de trânsito

Pense uma cidade com as dimensões, população e frota de veículos semelhantes a Inhumas, Porangatu, Goianésia, Caldas Novas ou Mineiros, cujas ruas e avenidas não possuem semáforos, placas de sinalização, quebra-molas, meios-fios, lombadas eletrônicas, e, no lugar do asfalto, peças premoldadas de concreto coloridas, permeáveis e proporcionando melhor conforto térmico. Uma cidade em que calçadas e ruas são a mesma coisa, niveladas, floridas, mobiliadas e compartilhadas no seu uso. Somente a direção das ruas aparece em pequenos e discretos sinais, e por incrível, todos se deslocam em simétrico entendimento: ônibus, carros, motocicletas, bicicletas e pedestres circulando em invejável sintonia e baixa velocidade. Pense uma cidade que não tem mais acidentes de trânsito com mortes desde 2003. Essa cidade existe, chama-se Drachten, fica ao norte da Holanda, na província da Frísia, distante aproximadamente 140 quilômetros de Amsterdam, capital do país.
Num primeiro momento, qualquer visitante brasileiro se sente perdido diante de sistema viário tão incomum e aparentemente despropositado, mas gradativamente ele começa a se apropriar da novidade, principalmente se na condição de pedestre - o protagonista em quaisquer situações de trafegabilidade por lá. A sensação confirmada é a de vivenciar espaços de mobilidade em que os diversos modais de transporte coexistem sem estresse, em absoluta harmonia com o ambiente construído e a natureza.
O idealizador deste sistema viário de Drachten é o engenheiro holandês Hans Moderman, falecido de câncer em 2008 aos 62 anos de idade. Sua fama se consolidou mundialmente por achar que a infraestrutura tradicional de segurança de trânsito não somente é desnecessária como pode colocar em risco aqueles que intenciona proteger. Concebeu a sinalização de trânsito como elemento de coerção, passível de desobediência contumaz ou obediência cega, levando o motorista à perigosa condição de autossuficiência em suas atitudes. Para ele, as cidades devem criar modelos de circulação em que o trânsito seja compreendido como “um meio para se chegar a um destino e não um fim em si mesmo, de sorte que os espaços públicos acolham o tráfego de veículos, o convívio entre as pessoas e outras funções espaciais em contínuo equilíbrio”, justificou o engenheiro no início dos anos 2000.

HUMANIZAÇÃO
Ao propor, defender e implantar o novo projeto como forma de humanizar o sistema trânsito, Moderman não somente conseguiu o seu intento como materializou e universalizou o conceito de “espaço compartilhado” (shared space) no uso dos espaços de mobilidade das cidades. Pregava que a sinalização, ao invés de educar, só piorava a segurança viária, com base na teoria de que “o motorista dedica mais atenção ao ambiente em que está envolvido se não estiver submetido ao rigor das regras de trânsito”.
Para Moderman havia dois mundos: o mundo do sistema viário, todo padronizado e cheio de regras, e o mundo social, onde as pessoas convivem. “As cidades não devem ser rodovias, devem ser um mundo social”. Não queria dos motoristas um comportamento de trânsito, mas um comportamento social, conforme anota o engenheiro Pieter de Hann, seu sucessor no “Laboratório Shared Space” de Leeuwarden, cidade vizinha a Drachten.
É notório perceber isso nas ruas de Drachten. O inusitado do novo sistema está na comunicação visual recíproca entre as pessoas que interagem no viário e nas atitudes de cautela tomadas constantemente. Especialmente os motoristas parecem não se preocupar com as infrações possíveis, migrando sua atenção para o indispensável monitoramento visual sobre o ambiente por onde trafega.

Mudança em vários segmentos

São notórios os avanços nos aspectos urbanísticos, ambientais e, sobretudo, da morbimortalidade no trânsito de Drachten. Para isso, os planejadores da cidade atuaram simultaneamente nos sistemas de drenagem urbana, esgotamento, tratamento de água, resíduos sólidos, habitação, transporte coletivo e, especialmente, no estímulo ao uso da bicicleta. Utilizando-se de ferramentas de gestão popular e técnicas de comunicação social, permitiu com que o motorista sempre se perceba em espaços adensados, compartilhados e não em vias livres.
Mas há controvérsias que ainda não foram superadas , como por exemplo, a mobilidade das pessoas com deficiência. A supressão dos meios-fios e guarda-corpos, por exemplo, comprometeu a segurança das pessoas cegas ou com dificuldades de visão e de mobilidade reduzida. Atualmente, técnicos procuram respostas a esta demanda social.

Fonte: O Popular

Autor: Antenor Pinheiro
 




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