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2013-06-09


Enquanto pessoas praticam atos de protesto, nas ruas, minha forma de protesto prioriza socializar o conhecimento técnico e científico de muitos anos de estudo, na busca por qualificar a discussão.

 Para tal, sobre o transporte coletivo na Região Metropolitana de Goiânia, assunto em foco no momento, exponho aqui quatro reflexões.

Em protestos, estudantes, em todo o Brasil, lutam por passe-livre sem, infelizmente, se aprofundarem nas discussões sobre política tarifária, sem ajudarem a propor uma solução. Em Goiânia, é possível afirmar que os corredores para ônibus contribuirão sobremaneira para a melhoria do serviço. Alguém já viu algum estudante em Goiânia defendendo a implantação de corredores? Lutar por uma tarifa menor é suficiente? Se sim, até quando? Não seria mais interessante um destaque, em nível nacional, dos estudantes goianos contribuindo com a solução? Sociedades que evoluem constroem projetos em conjunto. E os estudantes precisam ter um papel basilar neste processo.

Vereadores de Goiânia, que deveriam, por atribuição constitucional, fiscalizar o cumprimento de leis, fazem propostas que simplesmente “rasgam” o Plano Diretor de Goiânia e a Lei Federal da Mobilidade, ao propor a retirada da prioridade do transporte coletivo nos corredores. Sociedades que evoluem constroem projetos em conjunto. E os vereadores precisam ter um papel basilar neste processo.

Todos falam “se o transporte coletivo fosse bom...”, mas qualquer um que ousa propor uma medida que beneficie o transporte coletivo é literalmente massacrado. E quando se propõe retirar estacionamento então, surge uma outra fala inadequada: “mas aqui passam poucos ônibus”, ou ainda dizem “nesse local as pessoas não usam ônibus, só carro...” Sociedades que evoluem constroem projetos em conjunto. E os comerciantes precisam ter um papel basilar neste processo.

A opinião equivocada do senso comum, de priorizar o transporte individual (até quando?) tem reverberado muito mais forte do que estudos técnicos e casos de sucesso que comprovam que a busca pela melhoria da mobilidade inicia pela prioridade ao pedestre, ciclista e transporte coletivo. E prioridade se faz com a destinação de espaços e de investimentos.

Em meio a esta batalha desigual, pergunto: será que o senso comum está certo em abandonar o transporte coletivo, o pedestre e o ciclista? Será que a Lei Federal da Mobilidade, com prioridade ao transporte coletivo e não motorizado está equivocada? Será que cidades que priorizam as pessoas, a qualidade de vida, os modos de deslocamento coletivos e não motorizados, a racionalização do uso do carro, e com isso conseguindo uma melhora na qualidade do espaço e na vida da população, estão todas erradas?

Sociedades que evoluem constroem projetos em conjunto. Ou isso, ou perderemos o pouco que nos resta de qualidade de vida.

Erika Cristine Kneib é arquiteta e urbanista, doutora em Transportes, professora e pesquisadora da UFG




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