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2013-09-20


Pesquisador sugere custeio para o transporte coletivo

 Acrise no transporte coletivo na Região Metropolitana de Goiânia voltou a ser tema de discussão entre grupos ligados ao setor. O assunto foi debatido ontem durante reunião do Fórum de Mobilidade Urbana da Região Metropolitana, no auditório da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO) e comandado pelo presidente do fórum, Ilézio Inácio Ferreira, da Ademi.
O principal objetivo era trazer à tona a discussão de possíveis soluções para a crise no sistema e alternativas para o financiamento, além da tarifa. Para isso, a direção do fórum apresentou três proposições que buscam melhorar a qualidade do serviço. São elas o custeio dos benefícios e gratuidades do transporte por toda a sociedade e não só por aquelesque pagam a tarifa cheia, a implantação de infraestrutura adequada para fazer com que os ônibus sejam alternativa interessante para os cidadãos e a criação de um fundo voltado para a melhoria da qualidade do transporte.
O pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia Samuel Pessoa ministrou a palestra principal do encontro e também defendeu que a melhor saída é fazer com que a sociedade, como um todo, arque com os benefícios de alguns usuários do transporte coletivo, como a gratuidade de idosos e deficientes e o pagamento de metade da tarifa pelos estudantes. “O subsídio cruzado no transporte coletivo é um absurdo. Por que uma pessoa que paga passagem cheia no ônibus tem que subsidiar aquela que não paga e aquela que dirige o seu carro não subsidia? Transferir essa conta para os tesouros municipais me parece absolutamente correto”, sustenta. Em sua palestra, ele defendeu que a solução técnica perfeita seria a cobrança de pedágio urbano, para desestimular o uso de veículos individuais pelas vias.
Além disso, Pessoa acredita que devam ser realizados investimentos priorizando a circulação de ônibus do transporte coletivo, sobretudo por meio da criação de corredores preferenciais, e que não existem condições no Brasil de se investir em metrôs, devido ao alto custo da malha. “Metrô é uma solução que não cabe no bolso do estado brasileiro. Isso não significa que em algumas regiões do País não vá ter metrô, mas a solução para o transporte e para a mobilidade é o investimento na malha rodoviária”, acredita o especialista.
A implantação de Veículo Leve sobre Trilhos (VLTs), na opinião do pesquisador, deve ser feita apenas em locais onde há bastante circulação de usuários, mas não é uma solução prioritária. Segundo Pessoa, é possível que as melhorias que precisam ser feitas no modal sejam implantadas rapidamente, mas antes é necessário resolver o equilíbrio político no país. Para ele, a sociedade sinaliza, desde os protestos de rua ocorridos em junho, que esse equilíbrio mudou. “Por anos, o Brasil priorizou o transporte individual. Agora, a sociedade mudou e por diversos motivos prioriza o transporte público coletivo.”
Prefeitura apoia sugestão
A vinda de Samuel Pessoa a Goiânia foi sugerida, segundo o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), depois de participar de uma palestra do pesquisador em São Paulo. Apesar de o pesquisador se apresentar como um economista tucano (símbolo do PSDB), o prefeito afirma que concorda com o discurso dele acerca do transporte coletivo urbano. De acordo com Garcia, toda a sociedade deveria arcar com o ônus dos benefícios de parte dos usuários do transporte coletivo. “Também defendo essa forma de financiamento. Mas para isso, precisamos do fundo. Para que tenha finalidade prática, é preciso que tenha origem desses recursos para custeá-lo”, sugere.

Empresas ressaltam inviabilidade nos contratos

Também presente no fórum, o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo (Setransp) apresentou nota técnica de insustentabilidade dos contratos em vigor, que teria sido apresentada à Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC). A companhia informa que ainda analisa o documento. Na nota, as empresas apresentam dados de que operam no vermelho desde o congelamento da tarifa em R$ 2,70. Outro prejuízo que as empresas alegam se refere ao programa Ganha Tempo, criado pela Prefeitura e que estabelece que o usuário pode realizar até três embarques com um único bilhete. Mesmo com a pressão das empresas para suspensão do programa, o prefeito Paulo Garcia afirma que o Ganha Tempo será mantido.
A crise financeira apontada pelas empresas resultou, no início do mês, na greve de motoristas da empresa Reunidas, que inicialmente efetuou pagamento de apenas 45% dos salários dos condutores. O presidente da CMTC, Ubirajara Abbud, afirma que essa situação deve ser discutida entre as empresas e os funcionários, mas caso volte a acontecer o órgão irá atuar a fim de não prejudicar o usuário.
Abbud defende que a tarifa de R$ 3, anteriormente anunciada e que foi derrubada após vários protestos nas ruas, deveria ser aplicada porque se trata de uma cláusula contratual e que isso pode trazer danos futuros caso as empresas concessionárias entrem com medidas judiciais. A revisão de como é composta a tarifa seria feita com recursos do aumento da passagem. Para cobrir todas as despesas, o cálculo era de R$ 2,98. Os recursos advindos do arredondamento seriam destinados para cobrir as despesas da CMTC e para a contratação de uma auditoria para revisar a tarifa. Sem o aumento, não há previsão de quando a revisão deve ser feita, acredita Abbud.

Fonte: Jornal O Hoje




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