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2013-10-07


Eficientes, mas com reclamações

 Lotação de ônibus e problemas no trânsito nas vias que se conectam aos corredores continuam gerando insatisfação entre passageiros.
Com apenas dois funcionando, um deles efetivado pela metade, os corredores preferenciais de transporte coletivo de Goiânia provocam mudanças perceptíveis no trânsito. Para alegria de uns e contrariedade de outros. Usuários e motoristas de ônibus observam ganhos na velocidade dos deslocamentos após o começo da introdução desse sistema, em outubro do ano passado. Enquanto isso, condutores de carros particulares reclamam do tráfego carregado por terem uma pista a menos para circular e comerciantes se queixam da falta de estacionamentos.
Na semana passada, a reportagem verificou o funcionamento dos corredores nas avenidas T-63 e Universitária, onde o sistema começou a ser aplicado na capital. Os usuários das linhas de ônibus que passam pelas duas vias percebem melhorias enquanto estão dentro dos veículos do transporte coletivo nesses locais. O problema é a condução chegar no tempo certo e na lotação adequada.
As linhas que passam pelos corredores T-63 e Universitário também trafegam por outros eixos de circulação importantes em Goiânia, porém ainda sem contar com faixas preferenciais. Dividindo espaço com os carros na maioria das vias, as viagens dos ônibus permanecem atrasando. E os trechos com preferência ao transporte coletivo representam pouco em relação ao itinerário dos passageiros.
Maria Francisca Ferreira, de 43 anos, convive com a demora diariamente. “Para mim esse corredor pouco mudou. Meu ônibus vira logo ali”, diz. A diarista embarca na Avenida T-63 com a Avenida T-4. Mas a linha 015 anda poucas quadras pelo corredor preferencial até virar na Rua C-149, no Jardim América, rumo a Praça A. “O patrão reclama que a gente atrasa, mas a culpa não é nossa”, revela. Ela leva quase 3 horas para se deslocar do Jardim Colorado ao Setor Bueno.
A porteira Cleunice Gomes de Moura, de 48 anos, afirma que trafegar de ônibus pela T-63 ficou mais rápido. Mas acha exagero dizer que a situação é satisfatória. “Ainda demora muito. Às vezes, dois ou três ônibus passam lotados e não param no ponto”, diz. O relato reflete a dificuldade do transporte coletivo trafegar por vias nas quais não tem prioridade.
Depois de um dia inteiro de trabalho, Simone Batista, de 26 anos, pega ônibus na Praça do Cruzeiro e segue até o Terminal Isidória, onde embarca na linha 015. Ela segue pela Avenida T-63 até a Avenida T-2, onde desce para chegar à faculdade. “A mudança só é boa quando os motoristas dos carros respeitam”, afirma. A estudante ressalta que é comum os veículos particulares invadirem a pista preferencial dos ônibus sempre que o trânsito fica congestionado.
Esse comportamento dos condutores de carros é facilmente verificado, embora a maioria dos motoristas obedeça a faixa preferencial. Nos horários de pico das últimas quinta-feira e sexta-feira, havia alguns carros e motos na pista preferencial sem que a conversão à direita fosse feita. No corredor T-63 ainda não foram instalados os sistemas de fiscalização eletrônica e reprogramação semafórica, de acordo com a Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC).
O técnico de informática Ciro Faustino, de 27 anos, não gostou da mudança. Ele passa diariamente na Avenida T-63, sempre em horário de pico. “Os carros não passam lá na faixa preferencial. Só que os ônibus vêm toda hora para a pista do meio”, reclamou.
O servidor público Ronan Justo, de 50 anos, disse que a medida pouco o afetou. “Eu nunca andei pela faixa da direita. Então continuo circulando nas faixas disponíveis”, afirmou. Por outro lado, ele alega que “há muito espaço para poucos ônibus” que transitam pela via.
Na Avenida Universitária a faixa preferencial está instalada há mais de um ano, quando foi inaugurada ainda inacabada nas vésperas do processo eleitoral e serve de modelo para as demais que virão. O estudante universitário Matheus Simiema, de 20 anos, enfatiza que os ônibus ganharam velocidade na via. Ele “acha interessante” ver a fila de carros parados tentando entrar na Rua Olinto Manso Pereira. Naquele ponto, quem deseja converter à esquerda ou seguir para a Praça Cívica invariavelmente fica parado no trânsito em horários de pico. “A gente passa do lado e segue em frente de ônibus. Antes, a gente ficava emperrado junto dos carros”, diz.
Mas em outro ponto da avenida, o transporte coletivo ainda pisa no freio por conta dos carros. Nos horários de chegada e saída dos alunos da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), os automóveis particulares ficam parados para acessar o estacionamento.

Para comerciantes locais, só reclamações

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista no Estado de Goiás (Sindilojas), José Carlos Palma Ribeiro, sustenta que os comerciantes das vias onde foram adotadas faixas preferenciais para ônibus acumulam prejuízos. Na Avenida T-63, os empresários chegaram a fechar as pistas que cortam a Praça Wilson Sales (Praça da Nova Suíça) em julho para protestar contra a medida. Na época de instalação do corredor universitário também houve muito barulho por parte dos proprietários de comércios locais.
“A criação desses corredores precisa ser conversada. Em áreas de comércio mais intenso, como nas avenidas T-7, T-9, 85 e 24 de Outubro, essa medida pode afetar empregos nos comércios e entre os nossos fornecedores”, afirma. José Carlos ressalta que a Prefeitura chamou a categoria para o diálogo sobre a criação de faixas preferenciais nessas vias. Mas a conversa ainda não chegou em um ponto comum.
O Sindilojas sugere que a faixa preferencial seja instalada na pista da esquerda. “Se querem dar agilidade ao ônibus, que eles trafeguem no meio da avenida, sem carros atrapalhando na hora de converter à direita”, alega o sindicalista. “Temos certeza que a velocidade dos ônibus vai melhorar. É um avanço para a cidade, mas essa transformação precisa ser trabalha à várias mãos.”
A Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC) ainda não deu resposta definitiva à sugestão do Sindilojas. Mas a tendência é de negar a proposta. O órgão municipal argumenta que as portas dos ônibus são do lado direito e, para o embarque na outra lateral, seriam necessárias plataformas no canteiro central. Além disso, após os veículos do transporte coletivo saírem do corredor preferencial as paradas continuariam na direita.

Fonte: O Popular

Autor: Alfredo Mergulhão

 

 




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