Stivale Brasil, empresa de Importação e Exportação de produtos que oferece produtos de qualidade diferenciada, a preços competitivos, com garantia na utilidade, rapidez na entrega e excelência no atendimento.


2013-10-07


Um dos temas mais debatidos atualmente refere-se à mobilidade urbana.

 O problema tem se agravado nos últimos anos, com o aumento do volume de veículos automotores vendidos, impulsionado pelas baixas taxas de juros, redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e pelo aumento da renda da população. Dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) comprovam a argumentação: o Brasil colocou nas ruas 1,164 milhão de veículos nos primeiros quatro meses deste ano.

Nos últimos dez anos, o número de carros circulando nas grandes cidades brasileiras aumentou aproximadamente 150%. Já é sabido que Goiânia possui uma das maiores frotas per capta do País, com um veículo para aproximadamente 1,3 pessoas (Detran-GO). O Estado de Goiás possui pouco mais de 3 milhões de veículos automotores, enquanto a população não chega a 7 milhões de pessoas. Tudo isso, somado à falta de planejamento do trânsito – consequência da própria falta de planejamento do desenvolvimento das cidades – recai sobre todos os cidadãos na forma de um trânsito selvagem, disfuncional, responsável por um número cada vez maior de acidentes, mortes e gente sob intenso estresse.

Entretanto, estas circunstâncias trazem consigo um aspecto positivo: governos, universidades e os próprios cidadãos estão cada vez mais interessados em soluções para melhorar as condições de mobilidade. Exemplos bem-sucedidos ao redor do Planeta são cada vez mais divulgados; intercâmbios entre gestores de tráfego também aumentam a cada ano; e a população (mais consciente de que não basta ter um automóvel, mas também condições de usá-lo ou mesmo deixá-lo em casa) cobra ações do poder público.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, o ex-prefeito de Bogotá, o economista Enrique Peñalosa, discorreu sobre este que é o exemplo de intervenção no trânsito mais estudado na América Latina. Implantado por ele há dez anos, o sistema de mobilidade urbana de Bogotá tem vários pontos que podem ser implantados em Goiânia. Tanto aqui, quanto lá, os maiores usuários das bicicletas como meio de transporte são os trabalhadores com menor renda. Tanto lá, quanto aqui, uma pessoa que ganha salário mínimo e consegue usar bicicleta economiza entre 15% e 20% de seu salário.

Mas esta não é e nem deve ser considerada a única solução. O compartilhamento de espaços para veículos, ônibus e ciclovias deve ser planejado estrategicamente para que estes três modelos convirjam em um sistema integrado, capaz de facilitar a vida de todos que precisem se locomover na cidade. Goiânia é uma cidade plana, cujas distâncias ainda são curtas, se comparadas a outras capitais. Mudanças sempre geram conflitos, mas é preciso coragem e seriedade para encarar este desafio de garantir o direito de ir e vir do cidadão.

Leonardo Vilela é médico, deputado federal licenciado e Secretário do Meio Ambiente e
dos Recursos Hídricos de Goiás




Veja mais...