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2015-06-11


Adensamento e qualidade de vida

 Vem sendo comum entre os goianienses, o questionamento a respeito dos grandes prédios que vem surgindo nesse processo de verticalização que se intensificou na capital nos últimos anos. Acostumados ao clima bucólico em que foram criados, a grande dúvida é se vale a pena uma cidade ganhar forma de metrópole. A qualidade de vida estaria em risco?
  Nem sempre o adensamento urbano é reflexo de congestionamentos, alagamentos e filas nos grandes centros. Barcelona, na Espanha, possui 16 mil habitantes por quilômetro quadrado e, Nova York, nos Estados Unidos, tem 10 mil. Apesar disso, as cidades são listadas como centros invejáveis do ponto de vista de ordenamento urbano e qualidade de vida.
   Enquanto isso, Goiânia possui uma densidade populacional de apenas 1,8 mil habitantes por quilômetro quadrado e já preocupa a todos com o crescimento dos problemas. O grande questionamento é: onde estamos errando?
   A diferença está no planejamento concebido para longo prazo, geralmente adotado nessas cidades de países desenvolvidos. Quando os desafios do crescimento são calculados com antecedência, é possível dimensionar melhor os problemas e desenvolver soluções eficazes. Uma vez estabelecidos os rumos, eles normalmente são obedecidos pelos agentes públicos e privados. Correções, quando acontecem, são exceção; jamais regra.
   Em Paris e Londres, outros dois centros mundialmente respeitados pelos urbanistas, chegou-se à conclusão de que se alcançaria a viabilidade urbana a partir da implantação de microcentros que combinassem moradia, trabalho e lazer. Desde então, o ordenamento urbano passou a seguir esta diretriz.
   As pessoas passaram a ter uma rotina concentrada em um território restrito, sem que isso signifique desconforto. Um dos resultados da medida foi a redução do uso do automóvel, o que, de quebra, diminuiu a emissão de dióxido de carbono (CO²) lançado na atmosfera.
   Em Goiânia, alguns modelos aplicados nestas cidades estão sendo replicados pelo mercado imobiliário, como o mixed use, que significa empreendimentos de uso misto. É um único complexo que reúne lazer, trabalho, compras e moradia e, assim, contribui com a mobilidade urbana, uma vez que o usuário se desloca menos em seu dia-a-dia.
   As iniciativas são positivas. Contudo, a cidade de apenas 82 anos vem crescendo em ritmo acelerado, o que exige investimentos estruturais por parte do poder público para comportar a migração populacional que atrai. O principal deles é a mobilidade. Precisamos avançar e, mais uma vez, ideias desenvolvidas em outros países podem nos inspirar.
   Goiânia é a segunda cidade do País que mais recebeu migrantes, segundo o Atlas do Censo Demográfico 2010, lançado em 2013 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Brasília está no topo.
   O governo de Tóquio desenvolveu uma estratégia de criação de subcentros, estruturados a partir de entroncamentos de grandes linhas de trem e metrô, a fim de evitar o super congestionamento da área central. Ao contrário do Brasil, na capital japonesa, a iniciativa privada participa do processo. A gestão do negócio é feita por uma concessionária, que vai adquirindo terrenos do entorno da área de interesse ao longo de décadas, enquanto os preços estão baixos e o projeto ainda não foi anunciado. Isso é planejamento e estratégia.
   Quando é chegada a hora de o projeto sair do papel, um fundo imobiliário é constituído, no qual os proprietários recebem imóveis construídos como pagamento, semelhantemente ao formato de negócio que as incorporadoras brasileiras fazem com os donos de terrenos. Essa é a cultura desenvolvida em um país com pouca extensão territorial. O Japão possui em torno de 128 milhões de habitantes para uma área de 377 mil km². Goiás tem uma população de quase 7 milhões de habitantes espalhados por uma área de 340 mil km².
   Enquanto nesses países houve a necessidade de se pensar meticulosamente para aproveitar cada pedacinho de seu território, vivemos no desperdício da abundância e pagamos o preço por isso. É preciso romper com este paradigma de que, quando se tem muito, não há razão para preocupar-se com o futuro.

PAULO RENATO
é arquiteto da Norden Arquitetura

Fonte: Artigo publicado na revista CONSTRUIR MAIS ( Sinduscon-GO) edição n° 59, junho/2015.




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