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2015-09-23


O crescimento das cidades na região metropolitana de Goiânia ? assim como em diversas outras metrópoles ? tem apresentado duas formas precípuas: o crescimento populacional e o territorial.

 Este último conhecido como espraiamento urbano, no qual a cidade “espalha-se espacialmente”, geralmente de forma não planejada, monofuncional, sem infraestrutura e com baixas densidades. A construção de novos loteamentos e habitações em áreas periféricas, a exemplo do Programa Minha Casa Minha Vida, contribuíram para acelerar este processo.

Sobre os protestos relacionados a mudanças nas linhas de transporte coletivo do Eixo Anhanguera, em Goianira, segunda-feira, uma senhora protestava na TV: “Não interessa se os bairros crescem, o transporte coletivo precisa atender!”. Será que não interessa mesmo? Vejamos algumas considerações para o caso da região metropolitana de Goiânia (RMG).

A dinâmica socioespacial e econômica da RMG impacta seus municípios. As soluções de interesse comum devem ser estrategicamente articuladas no espaço metropolitano, visando o desenvolvimento regional, de forma integrada. De acordo com a Constituição de Goiás, o transporte é uma função pública de interesse comum, juntamente com a ocupação e uso do solo.

O transporte público coletivo é um sistema essencial para a mobilidade, seja esta municipal, seja metropolitana. A forma como as atividades se distribuem no território dos municípios impactará diretamente esta mobilidade e a qualidade do transporte coletivo na RMG.

O sistema de transporte coletivo na RMG é integrado, do tipo tronco alimentado, no qual eixos de maior demanda são alimentados por linhas de menor capacidade. É um sistema com inúmeras vantagens para os usuários e para a operação, pois permite sua racionalização, dimensionar a frota conforme os eixos e a demanda, melhorar a articulação da rede, oferecendo mais opções de viagens, além de maior capilaridade e acessibilidade. A desvantagem deste sistema é que em alguns casos existe a necessidade de realizar transbordo para troca de veículos, o que deve ser minimizado no planejamento da rede.

Além da integração operacional, o sistema de transporte da RMG conta com uma tarifa única metropolitana (fato único no País), permitindo deslocamentos a longas distâncias, entre municípios da RMG. No caso citado anteriormente, Goianira, por fazer parte do Sistema Metropolitano Anhanguera (SMA), o usuário conta com um subsídio tarifário (governamental) e paga somente metade do valor da tarifa (única) para se deslocar até a capital.

Todavia, o que era para ser um benefício para o usuário morador da região metropolitana e um elemento potencial para o desenvolvimento equilibrado dos municípios da RMG – um sistema integrado de transporte coletivo e uma tarifa única – tem equivocadamente encorajado a dispersão urbana e a consolidação de cidades dormitório, sem qualquer planejamento metropolitano, altamente dependentes da capital. Parafraseando a entrevista da senhora para a TV, citada inicialmente: “O município faz o que quer, deixa ocupar como querem, que o transporte coletivo metropolitano depois resolve”.

Em suma, o crescimento e a dispersão urbana das atividades nos municípios da RMG, somados à ausência de um processo integrado de planejamento metropolitano (como determina o Estatuto da Metrópole) tem levado à uma situação de insustentabilidade. Estamos produzindo um Entorno de Goiânia insustentável para os municípios, para a região e para o transporte coletivo.

Apesar do planejamento, dos esforços e das mudanças do sistema de transporte coletivo anunciadas para o SMA, se este processo de desarticulação metropolitana entre transportes e uso do solo não for revertido, por maiores que sejam as ações, no médio prazo não surtirão o efeito desejado. O transporte necessitará atender mais pessoas, mais longe, com maior custo, com majoração da tarifa de todo o sistema, estabelecendo-se o tão famoso círculo vicioso de perda de eficiência, de passageiros e de qualidade, impactando negativamente a mobilidade de toda a RMG.

Por fim, para fomentar uma reflexão regional, questiona-se, para a RMG: que tipo de região metropolitana se deseja? Uma região sem planejamento integrado, espalhada, desequilibrada, com cidades dormitório, com longos e caros deslocamentos?

Ou uma região metropolitana equilibrada, com centralidades desenvolvidas, com uma distribuição adequada entre trabalho e habitação, com economia forte, com valorização do transporte público coletivo integrado a outros modos; e qualidade de vida?

Erika Cristine Kneib é arquiteta e urbanista, mestre e doutora em transportes, professora e pesquisadora na UFG.




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