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2015-12-15


Desenvolvimento Urbano foi o tema debatido durante o último fórum do projeto Agenda Goiás, no início deste mês em Goiânia.

Desenvolvimento Urbano foi o tema debatido durante o último fórum do projeto Agenda Goiás, no início deste mês em Goiânia. Eu, particularmente, tenho duas preocupações centrais sobre o assunto, que são poluição visual e mobilidade. E isso veio à tona ao observar nossa cidade ao longo de vários anos.

Primeiro, falarei de algo que incomoda. Faixas, cartazes, letreiros, outdoors e painéis luminosos de tamanhos variados espalham-se pelos quatro cantos, em maior ou menor profusão. E não temos opção. Nas áreas mais centrais e movimentadas, a cidade, tímida, fica escondida. Não adianta tentar enxergar de fato a cidade. Eu, sinceramente, gostaria de ler menos para ver mais Goiânia.

Idealizada da década de 1930 pelo urbanista Attilio Corrêa Lima, com adaptações de Armando de Godoy no projeto original, a capital traz, em sua região central, um riquíssimo e belo patrimônio em art déco. Além disso, temos uma das cidades mais arborizadas do país, belos parques e paisagens urbanas. Tudo isso, muitas vezes, fica isolado do campo de visão por culpa das placas de publicidade. Ou, devido à poluição visual, nem nos damos conta da existência de uma cidade por trás daquilo tudo.

Algumas iniciativas foram tomadas, no passado, para diminuir, regular ou controlar a colocação de anúncios nas vias. É feita uma limpeza e depois arrefece. Logo, volta a ser como antes. Aparentemente as regras não são cumpridas todo o tempo. É preciso desenvolver uma política efetiva e eficiente para acompanhar essa questão. Afinal, o que a cidade e a sociedade têm a ganhar com a poluição visual? Será que não existem outros meios, que não as vias e logradouros públicos, para se anunciar algum produto?

Em outro sentido, temos nos deparado ultimamente com duas ações positivas relacionadas com a mobilidade urbana, que são as faixas destinadas a bicicletas nas vias e o investimento em corredores exclusivos de ônibus. Aqui, precisamos fazer uma espécie de mea-culpa. De maneira geral, guardadas algumas exceções, estamos acomodados e acostumados a uma realidade que pressupõe dependência dos automóveis. E os números estão aí para escancarar isso.

Goiânia é a cidade com maior taxa proporcional de veículos por habitante do país. Com mais de 1,150 milhão de automóveis, chegaremos ao fim deste ano com uma média aproximada de 1,25 habitante por veículo. É uma taxa alarmante. O resultado, é claro, reflete-se em ruas congestionadas, estresse, poluição e, consequentemente, menor qualidade de vida.

Mas como isso pode mudar? Com a mudança de atitude de cada um de nós. E, nesse sentido, vejo com alegria a iniciativa recente da prefeitura da capital de incentivar o uso de bicicletas e de criar espaço para elas nas ruas. No início vai causar estranheza, irritação e incômodo em alguns. Mas tem que ser assim. É preciso insistir. Somente assim é possível vencer a resistência e mudar a cultura.

Os motoristas goianienses, por exemplo, aos poucos começaram a se acostumar com as faixas prioritárias ou exclusivas para ônibus nas ruas e avenidas da capital. Ainda que existam conflitos e desagrados, é preciso pensar no benefício maior da coletividade. A presença a mais na rua de um ônibus (que pode levar mais pessoas de uma só vez) ou uma bicicleta (que não polui) pressupõe um veículo particular a menos.

Da mesma forma que desejamos uma cidade mais limpa do ponto de vista visual, também precisamos almejar uma cidade com menos carros. Limpa de forma mais ampla: no campo de visão, nas ruas e no ar. Eu quero poder ver, viver e respirar mais Goiânia. Eu quero uma cidade mais humana e feita para pessoas e não para painéis informativos e carros.


Thiago Peixoto é economista, secretário de Gestão e Planejamento de Goiás e deputado federal licenciado (PSD).

Fonte: O Popular - Opinião




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