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2015-12-14


Proximidade com capital traz benefícios para cidades vizinhas, mas pode impedir crescimento

 Idealizada para abrigar 50 mil pessoas, Goiânia se transformou em uma importante região metropolitana. No entorno da capital de Goiás orbitam 19 municípios, com uma população total estimada este ano em 2.421.833 pessoas. Mas o crescimento dessas cidades ocorreu de forma desigual, impactando na qualidade de vida da população que vive nas regiões mais distantes do centro econômico e sociocultural da metrópole. Para especialistas, a concentração dos serviços e da geração de empregos, vista inicialmente como um processo natural de uma capital, se tornou um problema e precisa ser repensada, para que a área central não acabe vampirizando as localidades vizinhas.

Autora do livro Projeto e Cidade - Centralidades e Mobilidade Urbana, a arquiteta, urbanista e doutora e transportes Erika Cristine Kneib afirma não haver um planejamento metropolitano que ajude no desenvolvimento como um todo. “As cidades têm sido cada vez dependentes, tanto economicamente quanto socialmente. Esse desequilíbrio gera problemas econômicos, principalmente para os municípios menores, que são em sua maioria cidades dormitórios”, diz.

Erika aponta que, nos últimos anos, a região metropolitana viveu um intenso processo de dispersão urbana, no modelo centro-periferia. Esse modelo gerou diversos pontos negativos como: concentração do trabalho na área central e as residências na periferia; deslocamentos pendulares a longas distâncias; favorece o modo individual motorizado e os congestionamentos; demanda mais infraestrutura (vias, energia, saneamento); encarece o transporte coletivo; impacta no meio ambiente; e amplifica a desigualdade social.

A pesquisadora explica que o deslocamento pendular é o movimento diário entre a origem (casa) e destino (trabalho ou escola). Segundo ela, cada vez mais pessoas estão percorrendo distâncias cada vez maiores, nesse vai e vem diário, por conta da falta de uma dinâmica econômica própria nas cidades onde residem, o que contribui para uma segregação socioespacial.

Para a especialista, cada prefeitura precisa estabelecer esse processo de planejamento, local e ao mesmo tempo integrado com a metrópole, buscando infraestruturas que os possibilitem atrair novos investimentos. “Não pode ter município só com habitação. Ele precisa atender as necessidades básicas e oferecer facilidades. Estamos produzindo um entorno de Goiânia insustentável”, diz.

Ela também critica a política das prefeituras de investir apenas em ambulâncias e veículos escolares para transportar os moradores para a capital. Segundo Erika, a centralização excessiva também prejudica Goiânia, pois inviabiliza as condições de atender bem todas a demandas.

“Devemos pensar quais escolas devem ter no município. Quais unidades de saúde devem ficar fora e quais devem ficar dentro da capital? O que não dá é para vir todo mundo estudar e se tratar em Goiânia.”

Entre as soluções, Érika aponta o adensamento das cidades, em contraponto ao espraiamento. “A dispersão da ocupação do território é ruim. As pessoas vão morar cada vez mais longe, e quanto mais se espalha, mais caro é colocar a infraestrutura.”

Outra saída é criar centralidades auto-sustentáveis ao redor de Goiânia, em vez de investir cada vez em uma uma metrópelo monoclear, com um polo grande e forte, enquanto a maioria dos outros núcleos estão enfraquecidos.

Desequilíbrio

A vice-presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás (CAU-GO), Maria Ester de Souza, também considera haver um desequilíbrio na região metropolitana. “A capital recebe tudo e podia dar mais”, afirma. Ela aponta que para promover um desenvolvimento mais equilibrado é preciso de uma gestão compartilhada.

Para a vice-presidente do CAU-GO, um passo importante em direção à gestão compartilhada criação do Estatuto das Metrópoles, em janeiro deste ano. Mas ressalta que, apesar do estatuto já ser lei, ele trata de assuntos complexos e ainda há um longo caminho a ser percorrido rumo à descentralização. “Ter um instrumento que dê um caminho para fazer a gestão é muito importante.”

Fonte: O Popular - Cidades

Autor: Gabriela Lima




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