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"Lotação é o grande desafio"



1 O presidente do Consórcio da Rede Metropolitana de Transporte Coletivo, Leomar Avelino Rodrigues, entende que o transporte coletivo tem muito a melhorar, mas que em dois anos já foram realizadas várias ações com o objetivo de tornar o serviço mais eficien

"Lotação é o grande desafio"
O presidente do Consórcio da Rede Metropolitana de Transporte Coletivo, Leomar Avelino Rodrigues, entende que o transporte coletivo tem muito a melhorar, mas que em dois anos já foram realizadas várias ações com o objetivo de tornar o serviço mais eficiente. Ele cita algumas inovações tecnológicas implantadas e a ampliação da frota, além da reforma e construção de terminais. Leomar também explica as mudanças no Citybus e em algumas linhas convencionais.

PERFIL: Leomar Avelino rodrigues
Goiano de Novo Brasil, Leomar Avelino Rodrigues, de 39 anos, é diretor geral do Consórcio da Rede Metropolitana de Transporte Coletivo (RMTC) e coordenador do Comitê Técnico de Trânsito e Circulação. Graduado em Direito, é especialista em transporte e em recusos humanos. Casado, é pai de duas filhas. As diversas variáveis do trânsito na região metropolitana são responsáveis pelos atrasos e lotação dos ônibus do transporte coletivo na capital. Foi o que afirmou aos leitores do POPULAR, através da rede de relacionamento Facebook, o diretor geral do consórcio das empresas que integram a Rede Metropolitana de Transporte Coletivo (RMTC), Leomar Avelino. Ele considera que o sistema avançou muito nos últimos dois anos e é otimista em relação ao futuro, mas reconhece que há gargalos. O Cartão Fácil e a criação de um conselho público dentro do consórcio são novidades anunciadas por ele nesta entrevista ao Face a Face.

Flávio Santos - Existe uma preocupação excessiva do consórcio RMTC com gastos na gestão do transporte. Entendo que o lucro também faz parte da gestão. Só que em certo ponto, o senhor não acha que o excesso dele acaba prejudicando a gestão do sistema e a melhoria da qualidade do serviço para os clientes?

Não tenho dúvida. Onde existe o lucro excessivo, em qualquer empresa, pode comprometer a satisfação do cliente. Agora, em relação ao serviço prestado pelas empresas do transporte coletivo da grande Goiânia o foco é a qualidade do serviço e a produtividade. Todo o trabalho que o consórcio vem desenvolvendo é no sentido de melhorar a qualidade do serviço a partir de uma melhoria da regularidade operacional, do cumprimento dos horários utilizando a Central de Controle Operacional (CCO) e melhoria da produtividade, a partir de um planejamento melhor do serviço. Este é o foco que o consórcio tem dado em relação ao serviço do transporte coletivo da grande Goiânia.

Marcus Fidelis - Reportagens recentes trataram do Citybus, que seria deficitário e precisaria aumentar o número de passageiros. Parece que alguns ajustes simples teriam esse efeito. Os usuários entrevistados reclamaram do longo intervalo entre os ônibus. No caso dos circulares 900 e 901, que deveriam interligar o sistema, os intervalos entre 30 e 40 minutos tornam isso inviável. Diminuir o intervalo nessas linhas não aumentaria o fluxo de passageiros, refletindo inclusive nas demais? Por outro lado, os ônibus circulam apenas entre aproximadamente as 6 horas e as 20h30. Com isso, essas duas linhas, que passam pelos câmpus da UFG e da UCG deixam de transportar os alunos que estão indo para a aula de manhã (o primeiro 901, por exemplo, passa pela T-63 em direção à PUC às 7h10), e os que estão voltando à noite. Ampliar o horário, mesmo tendo de pagar horas- extras aos dois motoristas que se alternam, não aumentaria significativamente o número de passageiros?

A questão do Citybus é um caso de sucesso e de algumas tentativas fracassadas. Ele foi concebido para um público das classes econômicas A e B. Três meses após sua implantação, concluiu-se que as pessoas não deixariam de andar em seus veículos para andar de Citybus, mesmo que fosse um serviço diferenciado. A partir daí mudou-se a rede do Citybus buscando uma maior abrangência no atendimento. Ele surgiu com intervalo de 20 minutos em todas as linhas, a exemplo da 900 e 901. A partir da demanda, que a quantidade de passageiros foi aumentando em determinadas linhas, mudanças foram feitas no sentido de priorizar onde a demanda é maior. Então, o aumento do intervalo de 20 para 30 minutos ocorreu porque outras linhas com demanda maior requeriam uma oferta também maior. Fizemos diversos estudos, as diversas mudanças operacionais têm sido feitas observando os critérios técnicos e principalmente o comportamento da demanda nas linhas. É bom lembrar que houve mudança na questão da tarifa em 2009 e 2011. Então, várias ações noticiadas mostram as tentativas de viabilização do serviço. Então, todas as mudanças do Citybus são precedidas de estudos e pesquisas.

Marcus Fidelis - No início de 2010, foi anunciada, em jornais especializados, a oferta de cotas do Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) Setransp, no valor de até R$ 142 milhões. Os recursos dessa antecipação de receita seriam usados pelas empresas integrantes do consórcio RMTC para investimentos no sistema de transporte público da região metropolitana. Essa operação foi bem-sucedida? Em caso afirmativo, quanto foi captado e como foram investidos esses recursos? Em caso negativo, qual a razão para o insucesso? Houve alguma fonte alternativa de recursos? Qual? Quanto foi captado e como foi investido?

O FIDC não foi viabilizado por questões burocráticas, impeditivas em relação ao processo como um todo. As empresas já investiram mais de R$ 350 milhões a partir de financiamento de bancos. Esse total compreende a aquisição de 1.043 novos veículos, a implantação do Serviço de Informação Metropolitana (SIM), da Central de Controle Operacional (CCO) e pagamento dos valores da outorga. As empresas investiram e estão pagando mensalmente para os bancos.

Gustavo Melo - Ônibus com câmeras, TV e sistema de som com alerta de parada, pontos com abrigos enumerados, informações das redondezas e de todo o sistema, todos os terminais reformados, eixo norte-sul pronto até 2011, integração total do sistema. Muita coisa foi prometida, um cronograma de ações foi anunciado na criação da RMTC e até hoje muito pouco foi cumprido. A única grande melhoria foi o controle dos horários em tempo real e sua disponibilidade na rede, ainda que pouco confiável. Por que tão pouco do que foi anunciado foi realizado? Para que prometer algo que não será cumprido?

Do que foi anunciado, muito foi feito. O que foi anunciado não era para o primeiro ano, 2009. Trata-se de um plano para, no mínimo, cinco anos. São ações extremamente inovadoras para a nossa realidade, para a realidade do Brasil. Podemos citar a CCO que foi implantada, o SIM, que possui diversos canais e elementos, está em funcionamento; a reforma do Terminal Cruzeiro foi realizada, a construção do Terminal Bandeiras foi feita, a construção do Terminal Garavelo está em andamento, a frota que era para ser renovada em cinco anos foi feita toda no primeiro ano. Ou seja, as ações estão sendo cumpridas, os resultados aparecem gradativamente e a ideia é que num horizonte, de acordo com o planejamento previamente estabelecido de 2008 e 2009, é que em mais dois ou três anos possamos ter todos esses elementos anunciados em 2009.

Alx Mes - Até quando os administradores da CMTC vão tratar os usuário do transporte coletivo com descaso e desrespeito aumentando a inquietação do povo a cada dia que passa? Quais as reais atitudes que a CMTC pode implementar para obrigar as empresas de transporte coletivo a prestarem um serviço de qualidade ao usuário (sem ficar encontrando desculpas e rodeando e jogando a culpa no trânsito e etc.)? Quando as empresas vão ser multadas por não cumprir as planilhas?

Os dirigentes e gestores da CMTC são pessoas sérias. Pela primeira vez, lá tem uma diretora técnica formada, uma pessoa que tem mestrado na área, que dedica sua vida ao transporte coletivo. O presidente, se formos olhar a vida dele é cuidar de questão de trânsito. Então se formos olhar, são pessoas que querem melhorar a qualidade do serviço, a exemplo das pessoas que estão no consórcio. A regularidade operacional do serviço é um problema sério que temos na região metropolitana. A lotação é o grande desafio do transporte coletivo. Isso é público e notório que existe a dificuldade. É preciso entender o passado e o presente. Nos últimos 13 anos a frota de ônibus aumentou mais de 40%. Tínhamos 962 ônibus, hoje temos 1.371 ônibus. Se formos ver a demanda do transporte coletivo, em 1998 era de 20 milhões de pessoas/mês; hoje estamos transportando menos de 17 milhões. Então reduziu quase 17% da demanda. Se formos olhar a questão da oferta de serviços, a quantidade de viagens, há uma grande interrogação. Houve uma redução de mais de 40% no poder de oferta. Ônibus que realizavam em 1998 algo em torno de 14 viagens, hoje estão fazendo 6 ou 7 viagens por dia. Ou seja, aumentamos a frota, a demanda caiu, mas não estamos conseguindo dar o produzir viagens de antes.

E se não tivesse aumentado a frota, a situação seria extremamente caótica. Se não tivesse perdido a questão da produtividade operacional, a situação seria excelente. Temos um problema de superlotação e isso é sério. A principal causa disso são as variáveis que ocorrem no trânsito no dia a dia. Isso é natural porque o poder socio-econômico das pessoas aumentou, a quantidade de motocicletas e veículos produzidos no País a cada dia aumenta. Com isso, dificuldades no trânsito. Aumentaram em Goiânia os acidentes envolvendo motocicletas. Quando se fala em regularidade operacional, são programados por dia quase 700 mil horários. Temos mais de 6 mil pontos de ônibus, realizamos quase 12 mil viagens/dia, cada linha tem em média 52 pontos. Este ano estamos com 59,5% de cumprimento de horário. Isso não é bom, gostaríamos de estar cumprindo 95%. Os 40,5% que não estão sendo cumpridos, quase 90% fogem da nossa autoridade. O motorista diz que não dá conta porque ele diz que tem horário para sair mas tem dificuldade para chegar, ele tem de ter segurança, tem de seguir as leis de trânsito. Transporte coletivo é muito complexo. Queremos cumprir horário 100%, agora estamos cumprindo 59,5%. Há um grande foco no cumprimento dos horários e na regularidade das viagens, mas é preciso enxergar as variáveis do trânsito.

David Faria - Desde 1985 que esse sistema de transporte esta defasado. Nesses quase 30 anos, os governos não conseguiram encontrar uma solução, então o que a população pode esperar para os próximos 20 anos?

Confesso que, pela primeira vez, estou muito otimista. Estou no transporte coletivo há 15 anos. Pela primeira vez eu vejo os governos estadual e municipal falando a mesma linguagem e tratando de projetos conjuntos e integrados. Pela primeira vez eu vejo a imprensa e a cidade pautando a questão da mobilidade urbana. Não é todo mundo que é preocupado com isso, As operadoras nos últimos dois anos fizeram investimentos altíssimos em recursos humanos, recursos tecnológicos, planejamento operacional, o cenário, para os próximos anos permanecendo com essa tendência é muito positivo. Agora, é verdade que temos vários problemas decorrentes de 30 anos ou até mais tempo. Quando a gente pega os terminais de integração, alguns têm mais de 30 anos, são de 1981. De lá para cá, praticamente nem foram reformados. Hoje é um grande problema da CMTC. Eles precisam ser humanizados, dar dignidade aos usuários, de infra-estrutura física. Um terminal de 30 anos, projetado para 15 mil pessoas, hoje está recebendo 50 mil pessoas por dia. Sem contar toda a utilização indevida do terminal, como a ocupação indevida dos ambulantes. O da Praça A foi concebido para 20 mil pessoas/dia, hoje passam por lá mais de 67 mil pessoas. Não tem jeito das pessoas estarem satisfeitas. O da Praça da Bíblia, que tinha um projeto para 30 mil pessoas/dia, passam quase 90 mil pessoas. São situações acumuladas ao longo do tempo que serão resolvidas a médio prazo. Acredito que vamos ter um transporte coletivo melhor a cada dia.

Ricardo Vieira da Silva - Sou usuário da Linha 107 - Terminal Vila Brasília - Terminal Cruzeiro. Gostaria de saber por que vocês tiraram os horários das 5h20 e das 5h40 e não comunicaram? Gostaria de saber também por que quando ligamos no 0800 da RMTC, o pessoal não fornece a informação correta? E os organizadores de fila do Terminal do Cruzeiro só chegam depois das 6 horas. E alguns motoristas, antes de chegar nos pontos abrem as portas dos coletivo. O que devemos fazer para reclamar, pois ligamos no 0800 e nâo obtemos respostas? Se existe outro meio de comunicação a não ser o 0800, pois por e-mail seria bem melhor o a comunicação.

Sobre a linha 107, a partir de estudos feitos pelo consórcio juntamente com a CMTC, constatamos que na faixa das 5 horas a demanda estava baixa. A quantidade de usuários não justificava ter oferta, a partir daí foi feito um ajuste no horário. Passou a ter uma viagem às 5h30, suprimos uma viagem. A divulgação foi feita no Terminal da Vila Brasília, com tabelas horárias, e no Terminal Cruzeiro, que era o destino da linha. Em relação ao 0800, todos os atendentes passam por treinamento, dentro da central de atendimento tem um encarregado e um coordenador de área. A base do atendimento é o site da RMTC onde estão todas as informações. Se ocorreu um atendimento que não deixou o cliente satisfeito, foi por uma falha operacional. Precisamos ter uma melhor informação, sobre dia e horário, para saber quem foi o atendente para tomar as devidas providências. No próprio site da RMTC tem a possibilidade da pessoa acessar e entrar em contato com o call center e fazer uma ocorrência.

O cliente tem razão e queremos evoluir. Até o segundo semestre queremos que o cliente entre no site e registre a ocorrência. Vale lembrar que o call center da RMTC recebe por mês mais de 6 mil ocorrências, dessas 85% são de pedido de informação, 14% reclamando e em torno de 1% é para fazer elogio. Todas as mudanças operacionais que o consórcio executa são divulgadas no blog da rede. Existe um blog da RMTC, chamado Blog da Rede, e todas as informações caem direto no twitter. Precisamos evoluir é na divulgação desses canais que ainda são novos.

Washington Eizo Makishi - Fale de um trabalho positivo e feito na sua gestão. E diga o que o senhor vai fazer pra melhorar e evitar criticas da mesmice!?

Existem diversos trabalhos que são extremamente positivos para hoje e para o futuro. A implantação da CCO, que funciona 24 horas por dia, sete dias da semana, o ano todo. A partir da CCO temos a possibilidade de avaliar algo que não enxergávamos antes, como o cumprimento da operação ponto a ponto. A região metropolitana de Goiânia é a única do País que tem um planejamento do serviço ponto a ponto. São quase 700 mil horários programados por dia. A CCO é uma inovação importante para avaliar a qualidade e a melhoria dos serviços. Ela consegue visualizar toda a rede em tempo real. O SIM é muito importante, porque as pessoas podem ter informação no site, no celular, no 0800, nos terminais. A reforma do Terminal Cruzeiro é muito importante porque as pessoas aprovam em 95% , todo o replanejamento operacional da rede é fundamental, o consórcio nos próximos 18 meses vai estar construindo o Terminal Garavelo, reformando alguns terminais agindo na infraestrutura de alguns terminais a partir do pagamento do restante da outorga, isso está estabelecido pelo poder público, toda a parte de planejamento contínuo do serviço, a criação do comitê técnico de circulação, a participação do consórcio dentro do Fórum de Mobilidade Urbana, enfim são diversas ações, o consórcio é novo, não tem dois anos e já fez algo que entendemos ser fundamental para a qualidade do serviço.

Renan Augusto Espírito Santo - Todos os trabalhadores precisam chegar nos postos de trabalho com horário, então é de suma importância termos horário disponível de todas as linhas no site da RMTC, que tem tudo menos o horário. Visto que temos outros Estados como Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais, dando um show de excelência.

Sobre os horários nos sites, Goiânia é pioneira no Brasil. Criar site é muito fácil, o difícil é ter conteúdo relevante. Quando o consórcio pensou no site, perguntamos primeiro o que o cliente queria, o que era importante para ele. A partir daí desenvolvemos todos os trajetos das linhas, tendo como referência o mapa de Londres, que tem mais de cem anos. Firmamos um contrato com o Google para fazer a roteirização. A região metropolitana de Goiânia é a primeira do País a ter um sistema de roteirização a partir do Google Maps. Todos os horários estão dentro do site. É só entrar em Linhas e Projetos e a pessoa escolhe a linha que quer e tem um ícone que diz Tabela de Frequência, onde há o horário. Agora, tem o celular que não está sendo valorizado. A pessoa pode mandar um torpedo (SMS). Os terminais que estão com novo modelo de gestão implantado, têm os horários. As pessoas estão descobrindo agora o que temos, o que foi implantado nos últimos dois anos. Os horários em tempo real estão dentro do site. Então, com todo respeito às cidades citadas, mas Goiânia está muito à frente.

Jean Rodrigues - No último ano, o transporte coletivo em Goiânia e região caiu em qualidade e aumentou o tempo de espera. As empresas tiraram ônibus das linhas para maximizar o lucro em cima do sofrimento do usuário. O transporte coletivo de Goiânia fere o princípio da dignidade da pessoa. Quero saber qual o plano para melhorar o transporte na capital e como está sendo a fiscalização para o cumprimento dessas metas? Qual o prazo para cumprir essas metas e onde conseguir o cronograma para cobrarmos o seu cumprimento.

Uma das obrigações que as empresas têm no contrato é a frota e elas têm cumprido isso rigorosamente. A frota é constantemente checada pelo órgão gestor. Agora, as empresas precisam de lucro, caso contrário fecham. Sobre a fiscalização, antes de 2009 ela era feita por fiscais que ficavam olhando os ônibus nos terminais. Hoje, a malha viária do transporte coletivo é de 6 mil quilômetros, 12 mil viagens, 5.707 pontos. Imagine a capacidade de um ser humano fiscalizar um serviço desses. O controle da operação era feita por apontadores que ficavam num ponto esperando o ônibus chegar, o que acontecia ao longo da linha ninguém sabia. Hoje, existe uma central que a qualquer hora você sabe o que está ocorrendo. Hoje, fiscalizar o serviço é muito simples, é só ficar na CCO. E queremos avançar, queremos a transparência para tudo o que temos. Muitas vezes as causas estão fora da nossa alçada e não conseguimos agir. Por isso estamos criando um conselho de controle público do serviço dentro do consórcio formado pelo MP, CMTC, AGR, Procon e outras entidades que tiverem interesse. Essas pessoas vão poder chegar e sair do consórcio a qualquer hora. A gente entende que isso é controle. Até o final de julho vamos fazer isso.

O Jean tem razão, há lotação, há tempo de espera. E esse é o grande gargalo nosso. Hoje existem três frentes de trabalho voltadas para a infraestrutura, que é o BRT Norte-Sul, sob a liderança da CMTC; o Metrô Leve sobre Trilhos, para o corredor Leste-Oeste, sob a liderança da Metrobus, e existe um plano para a melhoria de outros corredores que totalizam algo em torno de 102 quilômetros. Existem ações e projetos em andamento para melhorar a infraestrutura e os terminais. As metas são traçadas de uma forma macro porque envolvem diversos ações e agentes.

Thalita Rodrigues Braga - Nos terminais a situação piora, principalmente ao longo do Eixo Anhanguera, com a possibilidade de economizar na passagem, milhares de usuários fazem rotas alternativas e lotam os terminais, a cada ônibus que sai você vê homens, mulheres, idosos e crianças serem pisoteados, empurrados no embarque como bois. Pessoas se machucam e ninguém faz nada pra mudar essa realidade. Os motoristas extremamente estressados pela alta carga horária, com baixos salários e sobre a pressão de ter de cumprir horários devido ao aumento de veículos na capital.

Sobre o Eixo Anhanguera, isso é uma verdade, mas há uma gestão comprometida, se esforçando para que os resultados sejam positivos, mas existe um passado que não contribui muito. A frota é velha e o governo anunciou a sua renovação, o que vai melhorar muito. Agora, os terminais estão todos saturados. O Eixo Anhanguera precisa expandir, no mínimo, até o Vera Cruz e a Vila Mutirão. As últimas manifestações ocorreram nesse corredor. Ontem (quinta-feira) houve um problema na Praça da Bíblia e o Eixo Anhanguera foi prejudicado pelo movimento que por várias vezes cruzou a Avenida Anhanguera. Hoje é muito fácil parar um terminal, duas pessoas fazem isso, basta ter coragem, O Eixo Anhanguera tem uma gestão focada, preocupada, trabalhando para melhorá-lo, mas é preciso várias intervenções.

Sobre a remuneração dos motoristas, eles ganham praticamente a média nacional. O salário não é elevado, mas não está aquém. Agora, ser motorista é muito difícil, eles são verdadeiros heróis. Eles trabalham mais de 7 horas por dia dentro de um ônibus, em contato com milhares de pessoas que muitas vezes levam seus problemas e descarregam neles, sem contar as variáveis que eles encontram no trânsito. Eles são treinados corriqueiramente. Nós estamos falando de 3.018 profissionais, 5% dele precisam de uma atenção maior para que tenham um profissionalismo melhor. É uma profissão que deveria ser melhor valorizada, principalmente pela sociedade em geral.

Glaydson Oliveira - Desejo ver o senhor diretor da RMTC andar nos coletivos de nossa cidade, juntamente com a população e aguardar em alguns bairros a passagem dos ônibus. Claro que sem avisar sua presença e dos demais integrantes de RMTC e dos políticos.

Eu não tenho dificuldade em relação a isso. De um tempo para cá ando menos e tenho privilégio porque ninguém me conhece. Conheço bem a realidade. O que mais gosto é ver as pessoas conversarem, a partir disso tenho outra imagem da linha.

Renan Augusto Espírito Santo - Sou usuário de transporte coletivo na região do Bairro Parque Eldorado. O sistema aqui é péssimo, ônibus superlotado, poucos ônibus para uma grande demanda e não cumprimento de horário. Gostaria de um retorno positivo e concreto de vossa parte.

Na região metropolitana está tendo muito Parque Eldorado, se for aquele perto do Goiânia Viva, essa linha tem transportado em média 65 pessoas por viagem em horário de pico. É um número coerente.

Rafael Martins - Apesar da integração temporal, por meio do Cartão Integração, o fluxo de passageiros nos terminais não diminuiu. Pelo contrário, parece que aumenta a cada dia. Muitos reclamam da burocracia em adquirir o passe temporal, outros porque simplesmente o cartão não teria funcionalidade pois obrigatoriamente teriam de passar em terminais. Criar mais linhas, rotas alternativas, para que esse passageiro possa usufruir deste benefício não seria uma alternativa viável, inclusive para desafogar os terminais?

O Cartão de Integração representa hoje 3% da quantidade de viagens realizadas. Ele já trouxe um benefício, mas não tem dúvida de que o Eixo Anhanguera aumenta o número de passageiros em razão da atratividade da tarifa. Os terminais são imprescindíveis para a rede de transporte porque a partir dele há a redução da tarifa. Na nossa região ela é diferenciada em relação a outras partes do País. O usuário consegue viajar em 18 municípios com uma única tarifa. Se formos criar linhas radiais não é tão simples.

Agora, vai ser lançado até agosto o Cartão Fácil que vai representar uma revolução na forma de comercialização do sitpass. A pessoa vai adquirir crédito via internet. Qualquer pessoa pode ter o cartão, a primeira via será de graça. A tendência é que o bilhete sitpass acabe. Cartão Fácil está sendo trabalhado desde o ano passado, está nos testes finais, e vai contribuir muito com a locomoção das pessoas.

Rafael Martins - Por que as reformas dos terminais seguem a passos lentos? Não seria mais interessante abrir frentes de trabalho, como reformar dois terminais ao mesmo tempo?

Obras de infraestrutura cabem ao poder público e a gestão ao consórcio da RMTC. As empresas, recentemente, têm atribuição desde abril de reformar alguns terminais. Vamos trabalhar com duas ou até três meses ao mesmo tempo. Algumas com prazo de 12 meses e outras, 18 meses,

Artgay Articulação - Por que os Onibus do Citybus e da RMTC não possuem amortecedores? É impossível ler, ficar quieto na cadeira com tanto solavanco. Não está na hora de deixar transparente a planilha com horário, local e itinerário dos ônibus urbanos, nos pontos de ônibus, na internet?

Sobre os amortecedores, a reclamação deve ser registrada no 0800, porque se tem uma coisa lá fora que Goiânia tem fama é sobre a manutenção dos ônibus. Sobre os horários, somos favoráveis à colocação dos horários nos pontos de ônibus. É preciso que os abrigos passem por ações para atender melhor o cliente, como acessibilidade, calçamento, limpeza e informação. Abrigos são uma atribuição do poder público e não do consórcio. Mas é um ponto crítico, eles precisam ser valorizados. Na Praça Cívica, os abrigos estão vergonhosos. É a partir dali que o cliente tem o primeiro contato com o transporte coletivo.
 

Autor: Internautas
Fonte: Face a Face - O Popular


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